PRINCÍPIOS ESG

Mais do que investimento responsável, uma ferramenta para um desenvolvimento sustentável



ESG: Mais do que investimento responsável, uma ferramenta para um Desenvolvimento Sustentável!



Nos últimos meses muito se tem falado sobre o ESG. O termo que em inglês significa “Environmental, Social and Governance”, é traduzido na íntegra como “Ambiental, Social e Governança” (ASG) e é uma abordagem de investimento que tem como objetivo incorporar critérios ambientais, sociais e de governança na análise e na decisão de investimento de modo sistemático, para melhorar a gestão de riscos e gerar retorno sustentável e de longo prazo. A pergunta que organizações e investidores têm feito é se essa é uma tendência passageira ou de fato uma mudança para um comportamento para um futuro sustentável. Fato é que em nenhum outro momento da história a mudança do comportamento humano rumo à sustentabilidade foi tão necessária. Muito mais que um índice para um investimento responsável, ESG é um respiro para uma mudança de paradigmas que envolve sociedade, organizações e investidores. Mudar é preciso! Mas afinal, qual é o grande motivador desse impulso do mercado financeiro?


A SOCIEDADE QUER A MUDANÇA!


O comportamento da sociedade com foco na sustentabilidade evoluiu muito nos últimos anos. Diversas pesquisas apontam que as novas gerações estão mais engajadas com as questões sócio ambientais e por um cenário global mais justo. Corrupção, desastres ambientais, mão de obra escrava, desigualdade de gênero. Esses são exemplos de fatores que cada vez mais são menos tolerados pela sociedade global. Consumidores cada vez mais tendem a se preocupar não só com o custo de determinado produto ou serviço, mas também com sua procedência e com a mão de obra para a produção. Há uma preocupação, por exemplo, no caso de grandes distribuidoras de alimentos, se estas incorporam pequenos produtores ou produtos orgânicos na sua cadeia de fornecimento, se a carne que é distribuída é ou não originária de áreas de desmatamento. No caso da indústria da moda, por exemplo, a condição da mão de obra utilizada no processo produtivo pode aumentar significativamente ou derrubar o posicionamento de uma marca. Segundo uma pesquisa feita pela agência norte-americana Union+Webster, 87% dos consumidores preferem comprar de empresas sustentáveis. Outro dado apontado pelo estudo é de que 70% dos consumidores entrevistados não se importam em pagar mais caro por produtos fabricados por empresas sustentáveis.


REGULAE É PRECISO!


Embora a passos lentos, a regulação tem impulsionado a mudança. Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs que os seus 193 países membros assinassem a “Agenda 2030”, um plano global composto por 17 objetivos e 169 metas para que esses países alcancem o desenvolvimento sustentável até 2030. No mesmo ano, em Paris, o “Acordo de Paris” foi firmado com o compromisso mundial para a adoção de políticas climáticas para a redução de emissão de gases de efeito estufa a partir de 2020, substituindo ao Protocolo de Kyoto. Na Europa, o acordo da União Europeia (UE) traz diretrizes sobre regras de divulgação de investimentos sustentáveis. No Brasil, o Banco Central publicou em abril de 2014 a Resolução No 4.327 a qual dispõe sobre as diretrizes que devem ser observadas no estabelecimento e na implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. A Resolução 4.661, de 2018, também pelo Banco Central, determina na “Seção II - Da Avaliação e Monitoramento de Risco” que as EFPCs (Entidades Fechadas de Previdência Complementar) devem considerar na análise de riscos, sempre que possível, os aspectos relacionados à sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos. Espera-se, entretanto, que as regulações específicas para agenda ESG na esfera global, se intensifiquem nos próximos anos.


NEGÓCIO SUSTENTÁVEL É SINÔNIMO DE NEGÓCIO LUCRATIVO


Negócios sustentáveis têm sido avaliados como um potencial Alfa. Alfa é o termo usado para descrever a capacidade de um investimento em render lucros acima do esperado. Se um fundo de investimento tiver um Alfa positivo, significa que um ativo ou carteira de ativos superou a expectativa de rendimento prevista. Integrar ESG nas políticas organizacionais é uma tendência que vem ganhando força no mercado de investimentos global uma vez que há diversas pesquisas que mostram dados significativos de que tal direcionamento tende a gerar lucro acima do esperado, o chamado alfa!


O ESG como ferramenta para o Desenvolvimento Sustentável!


Nas diversas abordagens de “ESG” que tenho visto nos últimos meses, o foco está no “Investimento responsável”, no entanto, é importante começar a abordar a ferramenta como uma estratégia para um desenvolvimento sustentável, em outras palavras, unir o útil, ao agradável, entender que o movimento não está ligado apenas à investimento, mas sim em uma mudança da consciência para um planeta sustentável. Mas afinal, o que cada uma dessas siglas representam dentro do contexto “ESG” e quais as ferramentas as organizações devem utilizar para direcionar o rumo para um cenário (de fato) sustentável? Embora o aspecto “Governança” apareça por último na tradução do inglês literal, proponho iniciar essa análise com uma mudança de paradigma colocando-a como o pilar, uma vez que o direcionamento estratégico de uma organização é o que vai direcionar os demais pilares. Sem alterar o produto por conta da ordem, abordaremos: Governança, Ambiental e Social:


O “G” que governa


Governança corporativa pode ser definida como um conjunto de valores, princípios, propósitos, regras e processos que rege o sistema de gestão das organizações. Neste conjunto, aspectos como por exemplo o propósito dos acionistas, o lucro, a gestão de conflito de interesse e a determinação e atendimento aos direitos das partes interessadas, os chamados “Stakeholders”, integra a estratégia. Na esfera “ESG”, demonstrar governança visa gerar valor por meio de uma gestão ética e, portanto, segura, não só para seus investidores, mas para todas as partes interessadas, sejam elas acionistas, trabalhadores, órgãos reguladores, cadeia de fornecimento, sociedade, etc.


O “E” do Environmental


No contexto do “ESG”, os fatores ambientais têm relação com as práticas e as políticas de uma organização em relação aos aspectos ambientais das atividades, produtos e serviços que tais organizações podem controlar ou influenciar levando em consideração a perspectiva de ciclo de vida e o foco no aumento de seu desempenho ambiental. Esses fatores devem levar em consideração a especificidade de cada tipo de negócio e incluir, mas não se limita aos aspectos como emissões de gases de efeito estufa, eficiência energética, poluição, gestão de resíduos, efluentes, etc. Mas na prática, como uma organização pode evidenciar esse comprometimento? Sistemas de gestão ambiental, como por exemplo a “ISO 14001 – Sistema de Gestão Ambiental”, são ferramentas poderosas para demonstrar que uma organização tem compromisso com práticas ambientais. Especificamente esta norma tem como algumas de suas diretrizes a necessidade de mapear os aspectos ambientais e mitigar ou reduzir os impactos proveniente de tais aspectos; atender à requisitos legais, como por exemplo aqueles relacionadas à logística reversa; institui obrigação em abordar riscos e oportunidades ambientais como por exemplo a destinação correta de resíduos perigosos evitando a contaminação de solo e água subterrânea ou a diminuição da produção de tais resíduos; institui a necessidade de planejar ações para alcançar objetivos ambientais como por exemplo a redução das emissões atmosféricas, a redução de recursos hídricos nos processos produtivos, a redução de embalagem dentre uma série de outros requisitos que, por meio de auditorias internas ou de certificação, evidenciam que a organização possui uma estrutura com práticas ambientais sustentáveis.


O “S” do Social


Consumidores, clientes, doadores, investidores e proprietários estão, de várias formas, exercendo influência financeira sobre organizações em relação à responsabilidade social. As expectativas da sociedade sobre o desempenho social das organizações continuam a crescer. Um número crescente de organizações está se comunicando com suas partes interessadas, inclusive produzindo relatórios de responsabilidade social para atender às necessidades das partes interessadas de informações sobre o desempenho social da organização. No contexto do “ESG”, a dimensão social abrange os riscos sociais e o impacto da relação da empresa com sua força de trabalho, clientes e sociedade. As organizações devem incluir esforços para manter os trabalhadores leais, por exemplo, por meio do emprego de qualidade, pela promoção da saúde e segurança, treinamento e desenvolvimento profissional, inclusão e diversidade. Como ferramenta para implementação de tais fatores, a “ISO 26000 - Diretrizes sobre responsabilidade social” fornece orientações sobre os princípios subjacentes à responsabilidade social, reconhecendo a responsabilidade social e o engajamento das partes interessadas, os temas centrais e as questões pertinentes à responsabilidade social e formas de integrar o comportamento socialmente responsável na organização.


ESG Risk Rating


A nota de risco ESG, ou “ESG Risk Rating”, é o indicador utilizado para mensurar a probabilidade de uma organização causar impactos (positivos ou negativos) nas esferas ambiental, social e de governança. Um dos grandes desafios da avaliação deste indicador é que ainda não existem padrões para avaliar as organizações em relação ao seu desempenho na esfera “ESG”. Em todo o mundo “agências de ratinks” coletam dados criando diferentes metodologias para a definição do “rating”, para as diferentes empresas de diferentes setores. As principais consultorias são Sustainalytics, MSCI, Sitawi, Refinitiv, RepRisk e S&P Global. No Brasil, recentemente a XP lançou seu primeiro relatório com 10 recomendações de investimentos.



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